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Ônibus passou e não parou! E agora?

Vou começar o primeiro post do blog do site, com uma história muito maluca. E antes de contar a história de fato, preciso esclarecer o contexto.

Quando um recreador vai para um hotel trabalhar, existem várias maneiras de se chegar até o hotel. Quando você mora longe e não possui um meio de transporte próprio, como carro ou moto. O jeito é ir de ônibus. Você paga a passagem de ida, e o hotel te reembolsa pagando também a volta ao final do período em que você trabalhou. Até aí tudo tranquilo.

Muitos hotéis não tem um acesso fácil, hotéis fazenda, resorts, pousadas, ficam em lugares afastados, o acesso muitas vezes é por estrada de terra. Tudo isso para que o hóspede tenha tranquilidade e paz para relaxar e descansar.

Pois bem, trabalhei o último dia no hotel, passagem de ônibus comprada para a volta. Um dos funcionários me levou de carro até a estrada onde passava o ônibus para eu embarcar. Já era de noite, quase 22 horas. Estávamos esperando o ônibus que deveria passar às 22:15.

Às 22:10 avistei o ônibus e fiz sinal. O ônibus não parou! Fiquei desesperado. Falei pro funcionário que estava comigo: vamos atrás dele! Entramos no carro e saímos em disparada. Não demorou muito e conseguimos alcançar o ônibus, porém como diria Galvão Bueno, uma coisa é chegar e outra é passar. Não adiantava estar atrás do ônibus, precisava avisar o motorista para parar. Só que a estrada era mão dupla, não era simples ultrapassar o ônibus e mesmo ultrapassando, como avisar o motorista pra parar e me deixar subir? Era de noite. Já estava chegando na próxima parada dele, decidimos ultrapassar e esperar no próximo ponto. Conseguimos!

Estava no ponto, pronto para subir no ônibus. Mostrei minha passagem para o motorista. Ele disse que aquele não era meu ônibus, tinha tido um problema, a saída foi atrasada e o meu era o próximo. Ou seja, quando o ônibus passou por mim, achei que ele estava 5 minutos adiantado, na verdade ele estava 1 hora atrasado. O ônibus que eu deveria ter pego já tinha saído do ponto inicial e sabe-se lá em que lugar da estrada ele poderia estar. Meu desespero aumentou! Decidi ficar por ali, já que parecia ser uma parada do itinerário do ônibus. O funcionário do hotel precisou voltar e fiquei sozinho.

Fiquei no ponto por horas, horas e horas, passaram alguns ônibus, subiram pessoas, desceram pessoas, mas o meu ônibus não. Estava tudo escuro, sozinho, no meio da estrada. Com mala, mochila, morrendo de medo de ser assaltado. Em frente tinha um posto de gasolina com restaurante. Desses que os caminhoneiros passam a noite.

Entrei, pedi alguma coisa para comer, tinham poucas pessoas. Eu não sabia o que fazer, não tinha pra onde ir, não tinha crédito no celular, nada. Tinha um espaço do restaurante que estava escuro, era a área que eles serviam almoço. Achei um lugar para me sentar, juntei todas as minhas coisas. Tentei ficar escondido, não queria que me expulsassem dali, também não queria ser roubado e precisava arrumar um jeito de voltar pra casa.

Consegui cochilar algumas vezes sem ser incomodado, mas acordava toda vez que ouvia um barulho. Por volta das 4 horas começou a ter uma movimentação maior de pessoas. Os caminhoneiros estavam se preparando para seguirem viagem. Decidi levantar, fiquei por ali, tentei sondar se alguém poderia me dar uma carona, pra qualquer lugar que fosse. Falei com um, com outro e nada. Até que falei com um cara que aceitou me dar carona. Expliquei minha situação, ele iria passar por uma cidade que eu tinha certeza que tinha ônibus para minha casa.

Subi no caminhão, seguimos viagem até a cidade que ele prometeu me deixar. Foi tudo tranquilo. Ele me deixou na estrada próximo da rodoviária.

Cheguei na rodoviária e fui até o guichê da empresa de ônibus. Reclamei que o ônibus não parou para eu subir, disse que tive que pegar uma carona até ali para resolver, pois nenhum ônibus quis me deixar subir com uma passagem errada. Dei uma exagerada, menti, mas eu estava desesperado, doido para voltar pra casa, estava sem dinheiro e não tinha dormido nada. A moça que me atendeu foi simpática, entendeu minha situação e trocou minha passagem, até me devolveu parte do dinheiro, já que daquele ponto a passagem seria mais barata.

A partir daí tudo correu bem. Não fui assaltado, sequestrado, estava inteiro, só um pouco cansado.


Cheguei na casa dos meus pais, a tempo da festa de bodas de prata.


 
 
 

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